Na partida de
ida, o Palmeiras, de Felipão, havia vencido pelo placar de 2x1 no estádio do
Pacaembu e precisava somente do empate. Em um jogo muito movimentado e com as
expulsões de Zinho e Scolari pelo lado alviverde, os são paulinos venceram por
1 a 0 e levaram a decisão da vaga para os pênaltis. Junior, Rogério e Galeano
perderam suas cobranças e o São Paulo foi para a final do torneio.
Coincidentemente esse jogo foi também lembrado na semana passada, no dossiê que
a direção palmeirense fez tentando impedir o arbitro Paulo Cesar de Oliveira de
apitar o clássico da 28ª rodada do Brasileirão deste ano.
O jogo a
parte, os fatos desagradáveis que citei anteriormente, me fizeram lembrar outra
situação naquela noite em
Campinas. Eu tinha 9 anos de idade e foi meu primeiro “Choque-Rei”
no estádio. Estava na arquibancada palmeirense acompanhado pelo meu pai e muito
ansioso pelo jogo. Logo no inicio, com 5 ou 10 minutos de partida, entrou um
homem vestido de vermelho na torcida, a camiseta era normal, dessas básicas.
Neste momento pessoas que estavam aparentemente calmas até então começaram a
ofender esse torcedor e partir para cima dele, exigindo que saísse da
arquibancada. Quando a confusão começou, meu pai me pegou e deixamos a
arquibancada em direção a antiga área de sócios do Guarani. Meu pai explicou a
situação para um responsável da federação e pudemos voltar a assistir o jogo,
só que onde hoje é a numerada coberta do Brinco de Ouro da Princesa.
Esse fato se
assemelha muito ao que ocorreu no Domingo retrasado, dia 30 de setembro, só que
dessa vez no Pacaembu em São
Paulo , no jogo Corinthians e Sport. Para quem não sabe, um
Escocês foi a esta partida com a camisa de seu time, lá de seu país natal, o
Celtic. Esse time europeu tem como suas cores principais o verde e branco, e por
estar com essas cores, o turista foi expulso da área em que estava. Ah, vale a
pena lembrar que o mesmo não estava na arquibancada no meio das torcidas
organizadas, estava sim na área VIP, onde se localiza o ingresso mais caro do
jogo.
Outro fato da
mesma 27ª rodada deste Brasileirão mostra quão revoltante está freqüentar
estádios de futebol no nosso país. No mesmo horário e dia do jogo do Timão, em
Curitiba acontecia à partida entre o Coritiba e o São Paulo. Ao final do jogo,
que terminou empatado, uma menina de 13 anos pedia emocionada a camiseta usada
pelo Lucas, jogador tricolor e da seleção brasileira. O são paulino foi até
perto de onde a garota estava e jogou a camisa para ela. Depois de a jovem
estar com a camiseta em mãos, veio o comportamento ridículo de uma parte da
torcida do coxa que estava por ali. Claramente eram membros de uma torcida
organizada alviverde, que começaram a agredir verbalmente a menina e seu pai,
colocando o dedo na cara dos dois, só faltando partir para a agressão física.
Além disso, esses mesmos indivíduos começaram a soltar cusparadas em direção ao
atleta rival que estava no gramado. Com medo o pai da jovem pega a camisa e
devolve a Lucas, e mesmo depois disso os dois continuam sendo seguidos e
ameaçados até saírem da arquibancada. Tudo isso pode claramente ser observado
pelas câmeras de televisão que cobriam a partida no Domingo, 30 de setembro de
2012. Felizmente a menina foi levada ao vestiário tricolor e recebeu de volta
sua tão desejada recordação.
Mais
revoltante que esses dois acontecimentos absurdos, e que devem ocorrer diversas
vezes no Brasil em outros locais só que sem conhecimento do publico em geral, é
ver pessoas em redes sociais e em suas paginas na internet falando que isso é
normal, defendendo esses covardes e enfatizando que os errados são as vitimas,
ou seja, o pobre escocês e a menina e seu pai que devem ter passados momentos
de terror no Couto Pereira. Há pouco tempo atrás tínhamos áreas nos estádios
onde torcidas rivais acompanhavam o jogo juntos, o mais famoso desses locais
era a geral do Maracanã, que lamentavelmente nunca mais vai existir depois da
reforma no estádio para a copa de 2014.
Infelizmente
só vejo essas situações piorando no nosso país, e com isso cada vez mais os
verdadeiros torcedores vão se afastando dos palcos do futebol nacional. Com
tantos exemplos de violência, são poucos os pais que hoje querem levar seus
filhos aos estádios e, quando levam, é somente em jogos sem expressão, pois
aparentemente o risco é menor. Esse cenário não é definitivo, mas para mudar as
autoridades têm que tomar alguma atitude. Ao redor do mundo temos diversos
exemplos de como acabar com a violência nos campos de futebol, como Alemanha e
Inglaterra, e fazer desse esporte um entretenimento para todos, só falta querer.


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